Fissura Labiopalatina

O lábio leporino ou fissura labial é uma abertura no lábio superior. A fenda ou fissura palatina é o fechamento incompleto do céu da boca, isto é, a criança nasce com o céu da boca aberto.

A face de um bebê é totalmente formada durante os três primeiros meses de vida intrauterina. Durante esse comecinho da gestação, as partes do céu da boca normalmente se unem e dão formação à boca conforme nós a conhecemos. É neste período que a face do bebê pode ser malformada, ocasionando uma fissura (abertura) justamente pela não união dos lábios e/ou do palato.

As fissuras podem afetar apenas um dos lados do lábio ou os dois e variam desde formas mais leves, como uma cicatriz labial, até formas mais graves, como as fissuras completas de lábio e palato, que podem afetar a amamentação, a fala, o desenvolvimento e o crescimento da face.

São vários os fatores que, juntos, podem favorecer a formação de uma fissura labiopalatina.

Hoje, um dos mais importantes fatores é o genético. Aquele herdado dos pais. Mas fatores ambientais, como medicamentos fora de controle médico, uso de qualquer tipo de droga, desnutrição e anemia da mãe, estresse, exposição a raio-x abdominal, nos primeiros meses de gestação, também podem contribuir para o surgimento da malformação.

Em alguns casos, a mamãe pode descobrir que seu bebê tem fissura ainda durante a gravidez. Isto com os exames do pré-natal, geralmente por meio do ultrassom, lá pelo 4º ou 5º mês de gestação.

Se o bebê recebe o diagnóstico de fissura labiopalatina, a família deve procurar um centro especializado em anomalias craniofaciais, como a AFISSORE, para encontrar profissionais que orientem sobre os cuidados e tratamentos que o bebê pode precisar, além de ensinar como alimentá-lo desde os primeiros dias e encaminhá-lo aos Hospitais de referência.

O tratamento adequado envolve uma equipe multiprofissional que possa atuar de forma integrada: pediatras, cirurgiões plásticos, cirurgiões dentistas, fonoaudiólogos, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, entre outras especialidades de apoio que trabalham de forma conjunta para o sucesso da reabilitação.

Antes das primeiras cirurgias, que devem ocorrer nos primeiros meses de vida, é preciso saber que é perfeitamente possível amamentar o bebê com fissura labiopalatina. Para realizar o aleitamento materno, a mãe precisa verificar se a criança está sugando (o bebê precisa estar o mais sentado possível).

O nariz deve estar descoberto, para poder respirar com tranquilidade. A mãe deve ter paciência para amamentar, pois o bebê com fissura geralmente demora mais para sugar o seio do que os outros bebês.

Alguns casos de bebês com fissura de palato, precisam complementar a alimentação na mamadeira, no copinho ou na colher, mantendo sempre o bebê acordado.

As consequências da fissura labiopalatina na vida de uma criança vão além da estética. Podem causar problemas auditivos, infecções crônicas, mal nutrição, malformação da dentição e dificuldades no desenvolvimento da fala. Frequentemente observa-se o abandono escolar e a baixa da autoestima, ocasionando também problemas psicológicos.

O importante é que essa malformação é perfeitamente tratável! Com o tratamento adequado, a maior parte das pessoas pode viver normalmente.